Embora goste muito do meu trabalho, a minha prioridade sempre foi a família. Claro que, desde que o Duarte nasceu, esta prioridade ganhou ainda outros contornos.
No entanto, não me imagino a ficar em casa sem trabalhar por opção própria, pelo menos não neste momento. Por mais que goste de estar com o meu filho, cuidar dele, brincar com ele, os dias tornam-se um bocado rotineiros e sobra muito pouco espaço para fazer alguma coisa para mim, para espairecer um pouco a cabeça com outros assuntos que não lhe sejam exclusivos.
O ideal era ter um trabalho em part-time, que me permitisse ter a melhor parte dos dois mundos, mas para já ainda não é possível.
Estar com o meu filho faz-me imensamente feliz.
Obter dele um sorriso de felicidade genuína enche o coração de uma maneira inigualável. E é tão fácil de o conseguir...
Pensar que um dia já fomos assim.. Que tudo era tão fácil, tão divertido, tão desprovido de responsabilidades, chatices, cinismo.
Vivemos numa selva e é uma pena que não nos possamos rodear apenas de boas pessoas. É uma pena que tenhamos que conviver com pessoas cujas intenções são bem diferentes das nossas. Que são maldosas, que gostam de prejudicar, que gostam de denegrir os outros numa tentativa desesperada de se enaltecerem. E que se vão safando sempre, sem grandes problemas. Cada vez me convenço mais que o mundo é dos espertos, infelizmente.
No meu trabalho, por lidar com pessoas em contextos muito específicos (situações de grande alegria, grande tristeza ou grande stress) vivencio frequentemente uma grande diversidade de emoções. E por vezes é muito duro.
E é nestes momentos mais difíceis de digerir que me relembro bem das minhas prioridades e faço um esforço para as ter sempre bem presentes.
Há uns dias morreu lá um miúdo. 15 anos. Uma vida pela frente. Uns pais destroçados. Danos irreparáveis no coração de muitos que o rodeavam. (Aqueles pais, meu deus, aqueles pais...).
Uma morte estúpida. Brincadeiras à saída de um combóio, empurra daqui, empurra dali. O combóio parte e leva com ele uma vida que ainda tinha tanto diante de si.
Tentou-se de tudo. Conseguiu-se que voltasse durante um tempo, mas a morte levou a melhor e ele acabou por ceder, um pouco mais tarde.
Como é que se recupera de uma coisa destas? Como nos perdoamos pelas palavras que nunca foram ditas? Pelas que nunca serão? Pelos momentos em devíamos ter pedido desculpa, e não pedimos? Como se consegue passar algumas palavras de conforto a esta família?
A minha vontade era de chorar com eles...
Por isso, reitero. A minha prioridade é a minha família. Mais do que nunca!!
E tentar aproveitar todos os momentos que passamos juntos e com as pessoas que gostam de nós...
Be happy!
roupa de sentir
Há 5 dias